quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Au revoir, mon amour

Chegou como quem não quer nada, assim, de fininho. Me tirou o ar, o chão. Me fez perder a cabeça e me permitir. Me fez me perder.
Mas no fim não me levou a sério. E era disso que eu mais precisava. E é isso o que mais preciso.
Agora é a hora que deixo a porta aberta pra que você saia, em silêncio, sem despedidas, sem abraços, sem olhares. Apenas saia, para que eu possa me encontrar novamente.
Me encontrar... Em paz, com os pés no chão, a cabeça no lugar, o fôlego renovado, e, ainda, me permitindo.
Mas não a você. Não mais.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Change

Fazia tempo que não ocorria nenhuma grande mudança na minha vida. Falo de mudança mesmo, não de quebra de rotina. Mudança catastrófica. Daquelas que vira tudo de cabeça pra baixo. Daquelas em que você se perde e não reconhece mais nada em si e ao seu redor.
E isso é bom. Muito bom! Porque nenhuma mudança assim é igual. Cada uma vai mexer com você de um jeito. Cada uma vai te arrancar e te oferecer coisas e situações diferentes.
A minha "grande mudança" se iniciou quando a vida (A vida? Destino? Deus? Enfim...) me tirou algo valiosíssimo e de suma importância pra mim. Achei que a tal mudança acabaria ali, naquele vazio. “É só isso? Vem assim, me tira o que mais amo e se vai? Vira meu mundo de cabeça pra baixo e fica por isso mesmo?”.
Mas não. A vida - ou destino - ou Deus - queria que eu aprendesse lições importantes, crescesse e tomasse decisões sem aquele que me arrancaram por perto me dando instruções do que fazer e como proceder, como ele sempre fazia.
A ficha demorou a cair, mas caiu. Ele sempre me disse o que eu deveria fazer quando esse momento chegasse. Quando a mudança inevitável viesse. E agora eu descobri que achei que eu estaria preparada pra isso. Mas não estou. Preciso amadurecer, crescer, mas ainda tenho aquela necessidade de pegar na mão dele e perguntar “E agora? Que passo dou? Pra que lado devo ir?”, porque tenho medo.
Medo! Medo dessa mudança.
Se bem que é uma bela mudança. Algo pelo qual eu precisava passar pra aprender que nem sempre a gente tem aquela mão e aquela voz ali, guiando. Uma virada positiva na minha vida.
E acho que o objetivo dela será alcançado mais brevemente do que eu imagino. Mas nesse momento, eu sinto medo. E olha que eu sempre fui de me jogar. Sempre entro de cabeça em tudo. Mas dessa vez eu estou amarelando. É... Quem diria!
AH... Quer saber?! Vou tentar! Vou me arriscar! O dono da voz que sempre me dizia o que fazer foi um ótimo mestre. Me preparou bem pra esse momento. É meu dever orgulhá-lo.
Então eu vou passar por essa fase de mudança de cabeça erguida, firme, decidida e vou usá-la a meu favor, aprendendo e crescendo com tudo o que ela me arrancar e me presentear com o tempo.
E depois, que maneira melhor de começar o ano senão com uma baita mudança? É como diz aquele velho clichê: "Ano novo, vida nova". Esperanças renovadas e outras surgindo. Bom, não? Mudar é preciso!
Enfim, a decisão está tomada. Fiz minha aposta, agora vou esperar pra ver se ganho no final.
Agradeço a Deus por isso que estou vivendo hoje. Por essa experiência. E peço a Ele todos os dias para que eu acerte nos meus próximos passos e que não me deixe nunca sem saber o que fazer em todas as situações da minha vida de agora em diante.
E sai medo, deste corpo que não te pertence!!!
A mudança é inerente ao ser humano. E eu sou movida a isso!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tu vens?

Não sei como isso acontece, mas tenho a sensação de que borboletas invadiram meu estômago e não param quietas, batendo suas asas. Expressão malhada, né?! Mas não há outra melhor pra definir essa sensação, esse friozinho que atravessa a barriga.

Quem me dera ter o poder de enganar meu sistema nervoso, de fazê-lo acreditar que nada está acontecendo, que eu não gosto nem um pouco de você e que eu não estou nem um pouco me importando com o fato de te ver no dia seguinte.

Te ver! Poxa! Só te ver e passar uns dias com você. Só isso! O que não é nenhuma novidade pra gente. Já passamos tantos finais de semanas juntos. O que seria mais esse? Por que essas tais “borboletas” resolveram fazer a festa dentro de mim? Por que isso agora?

É. Acho que eu que devo me fazer uma pergunta: Eu preciso mesmo de uma resposta? Será que eu mesma já não sei?

É. Mas se idiotizar assim faz parte do processo, né?! Ficar boba e catando respostas sem sentido à perguntas mais sem sentido ainda. Tudo isso faz parte. E as borboletas são sinais. Isso mesmo. Sinais de que você está vindo e que eu estou feliz só por saber disso. Mas por que ficar feliz por isso? Ah, mais uma pergunta-sem-noção-cuja-resposta-tá-escrita-na-minha-testa!

Eu estou feliz porque tenho seus abraços, seus olhares, seu carinho, sua atenção. Porque sou sua menina e você é o meu rapaz. Porque nos permitimos, mesmo mantendo nossas liberdades. Porque não precisamos de rótulos e só usamos pronomes possessivos entre nós. Porque há encaixe, nossas personalidades se sobrepõem uma à outra. Porque a química e a física funcionam perfeitamente bem e por isso a gente se entende. Posso listar aqui centenas de outros motivos, mas não preciso.

E eu posso estar com você numa redinha num final de tarde chuvoso e entediante, sentada à beira-mar apreciando o encontro do céu com o mar, admirando a lua cheia ou entre quatro paredes sem nenhuma distração, que o sentimento é o mesmo, a música de fundo imaginária é a mesma, a vontade de te abraçar e não largar mais é a mesma.

Enfim, isso tudo parece bem idiota. Gastar minutos escrevendo essas pieguices todas... Ficar ouvindo Alceu Valença, Geraldo Azevedo, e MPB enquanto olho fotos de momentos nossos...

Piegas. Muito piegas. Mas isso também faz parte do processo, né?! Todo mundo passa por isso, né?! Então que minha idiotice seja perdoda. E que as borboletas batam suas asinhas sem pressa, sem euforia exacerbada, porque eu me permito sentir isso. Eu me permito a você. Sem cobranças, afinal reciprocidade bem-vinda aqui é aquela de livre e espontânea vontade. Você vem? Você quer? Você sente? Você se permite também? Então fecha os olhos e segura minha mão, que o que vier é lucro, já que só por ter você por perto me basta.

E como diz Alceu em Anunciação: “Tu vens, tu vens. Eu já escuto os teus sinais.”.

Rafaela Bezerra