Nunca imaginei que a distancia entre nós um dia seria assim, tão abissal. Desde que a ficha caiu tem sido estranhíssimo. Aliás, essa distancia tem sido difícil de ser digerida. Porque tem horas que te sinto tão perto. Como se me observasse a poucos metros - as vezes centímetros - de distancia. E afinal, o que exatamente nos separa? É confuso tentar entender isso de pra onde vão os que amamos quando nos deixam. Gostaria que você simplesmente estivesse aqui de forma que eu pudesse ter certeza da sua presença.
Hoje fazem exatos 4 meses... Não há necessidade de me conformar com sua ausência, né?! Ainda é cedo. Gostaria que não me dissessem mais coisas do tipo "não fique triste, isso acontece" ou "você precisa seguir em frente". Oi? Será que eu posso exprimir minha dor? Ainda é cedo e ela é eterna. Posso chorar em paz agora?
É, paizinho. Você me faz uma falta danada.
Fico eufórica em dias de jogo do Fla, olho pro lado pronta pra te perguntar em que posição meu time está naquele campeonato... Mas você não está lá pra responder. E me sinto perdida. Os jogos e Formula 1 perderam a graça sem você por perto me ensinando as regras, me contando as classificações, sempre entusiasmado por eu me interessar por coisas que você gostava.
Ou talvez porque naquilo ali você poderia estar perto de mim - no caso, o inverso - pra me ensinar. Sei o quanto foi doloroso pra você não ter podido estar por perto das suas filhas em momentos importantes da vida delas, pra ensiná-las, guiá-las, vivenciar esses momentos. Foi igualmente doloroso pra nós, fique certo disso.
Você faz uma falta danada quando, ao dar uma olhada nos canais da TV, me deparo com o Pr. R.R. Soares e seu Show da Fé, e não te tenho ali do lado pra aperrear, e brincar contigo, te dizendo que esse cara é um ridículo.
Achei umas cartas que você escreveu pra mim nos meus aniversários dos 14 aos 18 anos - tempo em que você ainda podia escrever -, o que senti ao ler foi um misto de alívio e dor, ao reconhecer sua grafia. Ao ler coisas tão... Tão suas! Por segundos pude até ouvir você falar aquelas coisas que estavam ali escritas. Guardei-as com todo amor do mundo. Mostrarei aos seus netos, viu?! Eles saberão do grande homem que você foi e se orgulharão tanto quanto eu me orgulho de ti.
E tem tanta coisa que queria te contar. Ainda não consegui um novo emprego. Estágio em Comunicação então, nem se fala. Estou no 5º período, pai! Minhas notas semestre passado foram boas. Ganhei uns cabelos brancos... Resultado dos estresses e preocupações. É, sua galeguinha cresceu. Estou me esforçando pra ser uma pessoa mais responsável, como você tanto queria.
O coração anda cansado, um pouco frustrado. Saudade dos seus conselhos. E sei o que você diria nesse momento. Algo do tipo "Minha filha, ele não te merece! E ninguém te ama mais que eu!". Você sempre acertava no que dizia. E talvez eu devesse te dar ouvidos. Pena que o faça só agora.
Renata conseguiu mais um emprego! Não pára quieta. Trabalhando demais.
Mamãe agora está descansando, recuperando o fôlego. Mas também sente muito a sua falta.
Todos sentimos. Vovó mais ainda. Toda hora lembra de você. E toda hora nosso coração se aperta.
Papai, de onde o senhor estiver, continua cuidando da gente, tá?! Mostra-me o que fazer, ilumina bem o meu caminho pra que eu possa continuar seguindo tuas pegadas. Elas ainda estão bem claras na minha frente.
Talvez todas as teorias sobre o pós-vida conspirem contra nós e você não tome conhecimento dessas palavras, do meu pensamento, dos meus sentimentos, do meu dia-a-dia. E imaginar isso me deixa louca, pois tem tanta coisa que queria que você soubesse, que se te visse agora, gritaria tudo, atropelando as palavras e sem recuperar o fôlego. Tenho certeza que você riria dessa cena. Ah, que saudade!
Como é grande o meu amor por você, seu Eduardo.
Até nosso próximo encontro, meu velho!
De sua filha, seu amor, sua galeguinha, sua bonequinha,